No Xigubo, de Craveirinha

O Flávio

xigubo

Dizem os entendidos, e nisso deverão ter razão, que o melhor Craverinha foi o de mais tardia publicação, e de mais íntima verve (o livro “Maria”, em seu torno), assim algo desvalorizando, pelo menos comparativamente, as suas primeiras e mais programáticas décadas, aqueles de “Manifesto”, o da proclamação da legitimidade cultural e política local. Será, repito, talvez verdade. Mas regresso ao Xigubo, ao velho Craveirinha, então mais novo, claro. E há nacos de uma sapiência …

“Ajoelham-me aos pés dos seus deuses de cabelos lisos / e na minha boca diluem o abstracto / sabor da carne de hóstias em milionésimas / circunferências hipóteses católicas de pão. / E em vez dos meus amuletos de garras de leopardo / vendem-me a sua desinfectante benção … / Efígies de Cristo suspendem ao meu pescoço / em rodelas de latão em vez dos meus autênticos / mutovanas da chuva e da…

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O Parolismo

O Flávio

Uma entrevista de Augusto Santos Silva, mNE (basta googlar que se encontrará uma versão resumida, com cerca de 10 minutos). Não particularmente interessante, não tanto pelo ministro mas devido ao tom afável e até algo subserviente da entrevistadora – há ali uma nuvem de comunhão de casta, tonitruante no final na partilha de “grande amigo”, que abre auto-estrada para que Santos Silva saia incólume e até com louros da entrevista, de facto conversa.

Mas, e para além de algumas afirmações interessantes sobre política externa, ainda que não inovadoras, infelizmente não esmiuçadas, o cabeçalho terá que ser as declarações sobre política interna – já agora, nem uma palavra sobre as eleições europeias e sobre “que Europa?”, para além de plácidas considerações sobre defesa comum, mostram o tom demasiado “charmoso” da entrevista. E sobre esta Augusto Santos Silva, reclamando alguma rusticidade lexical que faz ancorar no seu portismo, diz serem “parolos” os…

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