Cinema Luso Brasileiro em Maputo

O Centro Cultural Português e o Centro Cultural Brasil-Moçambique realizam esta semana, entre os dias 30 de Setembro e 3 de Outubro, a Semana de Cinema Luso-Brasileiro, na cidade de Maputo. No ano em que foi relançado o protocolo luso-brasileiro de coprodução cinematográfica, as embaixadas de Portugal e do Brasil em Maputo promovem a exibição pública de um conjunto de filmes que reflectem pontos de contacto e aproximações entre as cinematografias dos dois países, bem como a ligação dos dois países a Moçambique no âmbito da coprodução cinematográfica.

Os sete filmes selecionados para a Semana de Cinema Luso-Brasileiro serão exibidos em Maputo, em salas do Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema (INAC), Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e Escola Portuguesa de Moçambique (EPM-CELP). Todas as sessões de exibição terão entrada gratuita ao público.

A Semana inicia-se em grande logo na sessão de abertura a ser realizada no dia 30 de Setembro, às 18 horas, no Cine Scala, com a exibição do filme Os Maias (2014), de João Botelho, que acaba de estrear em Portugal e será brevemente exibido no Brasil. Baseado no grande clássico da literatura Os Maias do consagrado escritor português Eça de Queirós, o filme conta com a participação de actores brasileiros e portugueses que, nesta grande produção, dão corpo ao retrato da família Maia e da sociedade europeia de finais do século XIX.

Outro destaque da Semana de Cinema Luso-Brasileiro é o filme Capitães da Areia (2009), a ser exibido no dia 1 de Outubro às 14:30 horas na Universidade Eduardo Mondlane, no Anfiteatro 1502. Baseado no romance homónimo do consagrado escritor brasileiro Jorge Amado, o filme narra a vida de um grupo de meninos abandonados que lutam pela sobrevivência nas ruas de Salvador, na Bahia (Brasil).

A Semana segue com a exibição do filme Tabu (2012), de Miguel Gomes, no dia 1 de Outubro, às 18:30, no INAC. Aclamado pelo público e pela crítica, tendo recebido vários prêmios internacionais, com parte das filmagens rodadas em Moçambique, o filme narra a história de uma idosa temperamental que, após o seu falecimento, tem a sua vida desvendada pela empregada e pela vizinha, com histórias de amor e crime passadas numa África de aventuras.

No dia 2 de Outubro será exibido às 10 horas, na Escola Portuguesa de Moçambique, o filme Primo Basílio (2007), de Daniel Filho, baseado noutra obra clássica do escritor português Eça de Queirós. O filme, de produção brasileira, retrata a vida de um engenheiro bem sucedido e casado com Luísa, uma jovem sonhadora e ociosa que, ao reencontrar o seu primo Basílio, passa a viver uma relação extraconjugal com consequências que tornam a sua vida um inferno. Ainda no mesmo dia 2, será exibido no INAC às 18 horas o filme O Contador de Histórias (2009), que traz actores brasileiros e portugueses para um enredo que retrata a história verídica de um menino cheio de imaginação que é entregue pela mãe a uma instituição de assistência social recém-criada.

O último dia da Semana terá uma sessão de exibição às 14:30 horas na UEM do filme Um tiro no Escuro (2005), de Leonel Vieira. Trata-se de uma produção que envolve actores brasileiros e portugueses, com um enredo de aventura e suspense que narra o rapto de uma menina de dois meses.

Para encerrar a Semana de Cinema Luso-Brasileiro, e em homenagem aos filmes baseados em obras de escritores de Língua Portuguesa, será exibido O Último Voo do Flamingo (2010), de João Ribeiro, uma adaptação cinematográfica da obra homónima do escritor moçambicano Mia Couto. O filme aborda o período pós-guerra civil em Moçambique e será exibido no INAC no dia 3 de Outubro às 18 horas.

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O Algarve na Época Moderna

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De Joaquim Romero de Magalhães foi publicado em 2012 pela  Imprensa da Universidade de Coimbra/Universidade do Algarve, este livro com 392 páginas que reúne  vários estudos que o autor efetuou ao longo da sua carreira académica. foi um livro em torno do qual passamos parte das férias de verão.

Ainda nos anos da universidade lembro-me da leitura do seu Algarve Económico, algarve económicoa sua tese de licenciatura, publicada na coleção Marcha de Humanidade, da coleção cosmos, que dirigiu juntamente com Vitorino Magalhães Godinho.  Uma coleção que tratamos noutro lugar. (Mercadores de Letras, 2009)

No livro o Algarve na época moderna, complemente a leitura do Algarve Económico e dá resposta à questão sobre como é que a economia regional (do antigo reino do Algarve) evolui após o período de relativa pujanla do século XVI. Depois de nele se ter centrado o trato africano, prolongando a sua tradição mediterrânea,  o Algarve evolui para uma periferia portuguesa e andaluza.

Como é que a sua ligação a Lisboa e muitas vezes ao trato ilegal com as Índias e ao comercio com o Norte da Europa, através das frutas e com o Mediterrâneo ocidental pela exportação de atum, e com Marrocos por dele partir toda a logistíca de sustentação da rede de fortificações da costa marroquina e Mauritânia, que lhe davam uma posição relevante na economia portuguesa, o conduzem à uma relativa decadência a posição periférica.

Como é que um Algarve no século XVI com uma rede urbana dinâmica, que se defende contra o corso, vê chegar ao fim  essa época brilhante. Como é que esta rede prede vitalidade, como é que a demografia regride, que efeitos teve a saga inquisitorial na aniquilação dos mercadores .

Procurar responder ao processo de cristalização duma economia pujante, e como é que a sociedade se ruraliza, até aos tempos liberais, ainda que possa parecer uma preocupação muito datada pela historiografia (veja-se a questão da decadência do mundo antigo, de M. I. Finley e Ferdinand Lot ) não deixa de assumir na atualidade alguma relevância.

Uma Algarve Moderno que chega decadente às reformas do Marques de Pombal e às inovações  D. Francisco Gomes do Avelar (1789-1817).