Sobre ecomuseus e museologia comunitárias XIII

Museologia Social e Intersubectividade

Os museus socias, com base na comunidade usam os objetos para construir histórias. Não são os objetos que contam uma história. A inversão desta relação com o objeto, ou melhor a ultrapassagem desta relação entre os sujeitos com os objetos permite colocar a museologia social no campo da relação da intersubjticidade.

A museologia social constrói espaços e tempos de encontro e assume a sua relação de reconfiguração dos poderes sociais na sua dimensão libertadora.

Museologia Social e a lógica do Poder

A museologia social procura ultrapassar o impasse criado pela relação cultura com natureza, assumindo a sua dimensão integral. Na sua lógica processual de enfrentamento com o real a museologia social assume-se como uma museologia emancipatória que procura reconstruir encontros. Nesse sentido, na sua crítica ao paradigma do desenvolvimento contesta a noção de crescimento infinito e propõe a regulação a partir do encontro e procura compatibilizar os objetivos de curto prazo com os de longo prazo.

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Sobre ecomuseus e museologia comunitárias XII

A crítica da museologia social aos Museus de Hoje

A oposição entre a reificação e revivicação nos processos museológicos permite olhar para os museus de hoje em função da sua apropriação pela sociedade.

Para os museus tradicionais, que privilegiam o objeto e o espectáculo centram-se na ilusão e na recriação do real. A museologia ou é uma arte do espetáculo ou uma técnica de conservação que aplica de forma acrítica um dado saber.

Para os museus sociais, que privilegiam o encontro e a experimentação de inovação social, centram-se na produção do cogito: do conhecimento e da cidadania.

A museologia social faz uma critica ao museus espectáculo na medida em que estes processos se centram na produção de marcas. Há um processo de mercantilização de objetos de referencia (igrejas, fábricas, ruas da cidade, edifícios notáveis) que face a sua erosão são preservados como marcas (do tempo no espaço).

A critica da museologia social extende-se igualmente às festas reivivicantes. (os cortejos históricos, romanos, medievais ou de outros tipos), contrapondo-a com a criatividade da festa social e a iniciativa comunitária como pratica de produção de inovação social.

sobre ecomuseus e museologia comunitária XI

A crítica da nova museologia à ecomuseolgia

Alguns autores têm abordado a museologia social como uma proposta interdisciplinar crítica que trabalha a partir da relação dos seres humanos como os objectos socialmente qualificados num determinado cenário.

Autors como Mário Chagas, Mário Moutinho, Nestor Garcial Canclinni ou Boaventura Sousa Santos tem chamada a tenção para os lugares de patrimonialização como processos de tensão social susceptíveis de mostrarm uma tensão libertadora ou reguladora. Os processos museológicos, numa prespetiva crítica situam-se ora numa dimensão de reificação (de libertação) ora numa dimensão de revivificação (de regulação)

Na sua dimensão de libertação os processos museológicos:

  • Procuram um espaço de pratica de liberdade
  • Interrogam o tempo como descoberta da diversidade
  • Iniciam processos de conhecimento que questionam o real acomo proposta de ação comum

A esta dimensão, contrapõe-se a dimensão reguladora, onde os processos museológicos:

  • Organizam o espaço
  • Controlam o tempo
  • Vigiam e normalizam as pratica.

Esta critica permite entender que os processos museológico são também lugares de afirmação de poderes, que ora exibem e afirmam hegemonias. Os processos museológicos constituem-se como espaços rituais mas também se podem constituir como e lugares de passagem.

Sobre ecomuseus e museologia comunitária X

Ecomuseologos

  • Ana Mercedes Stoffel – Museu da Comunidade da Batalha
  • Georges Henri Riviere – Museu do Homem Paris
  • Hugues de Varine – Ecomuseu
  • Isbel Vitor – Museu do Trabalha de Setúbal
  • Jonh Kinar museus de vizinhança em Anacostia (USA)
  • Maria Celia Moura Santos – Processos museológicoa na Bahia
  • Mario Chagas – Museus de Favela no Rio de Janeiro
  • Mário Moutinho. Museu de Monte Redondo
  • Raul Lugo – Otaxepr e Nyarit
  • René Rivard e Pierre Maylan – Museu do Quebec

Sobre ecomuseus e museologia comunitárias IX

Nova Museologia segundo Maria Célia (2000)

Maria Célia Moura Barrao, pelo seu lado, a partir do Brasil, define esta nova museologia em 2000, como:

  • O reconhecimento de indentidades colectivas
  • A utilização da memória colectiva
  • A tendência para a reconfiguração dos patrimónios (criar de novo)
  • A atuação na museologia como prática social
  • A socialização da preservação do objeto museológico
  • A interpretação da relação da sociedade com o meio
  • A predominância da ação da comunidade

Sobre Ecomuseus e museologia comunitárias VIII

Nova museologia segundo Peter Van Mensh (1990)

Peter Van Mensch caracterizou, na sequência da evolução da ideia de ecomuseologia para nova museologia os seguintes elementos

  • A mudança do objetos para a comunidade
  • A ampliação do conceito de objeto museógico
  • A preservação in situ
  • Os conceitos de descentralização (polinucleado)
  • A tendência para a conceptualização
  • A racionalização da gestão dos museus (introdução de operações de planeamento e gestão de recurso),
  • A tendência para musealizar as instituições culturais, criando áreas de expografia temporárias ou não

Sobre ecomuseus e museologia comunitária VII

Princípios do Ecomuseu

Segundo Matilde Ballargue (1992) um ecomuseu define-se por 4 princípios

  1. A identificação com um território e seus habitantes
  2. A identificação das necessidades e anseios duma população
  3. Atuar como membro duma comunidade. O museu necessita de capturar o tempo e construir uma agenda (aggionarmento)
  4. Aceitar a pluralidade do objetos e dos tempos e espaços. Aceitar que os museus também se transformam.

Noutro documento (1996), e na sequência da sua reflexão crítica sobre o conceito, Hugues de Varine define ecomuseu como um processo museológico que contem os seguintes elementos:[1]

  • Um território, um património e uma comunidade
  • Um espaço de desenvolvimento integral (museu integral)
  • A sustentabilidade do projecto
  • A valorização da identidade local
  • Um espaço de exercício de cidadania

As mais recentes reflexões sobre o conceito de ecomuseu e museu de comunidade estabilizaram estes elementos.

Contudo, alguma reflexão crítica tem vindo a chamar a atenção para que todos estes elementos se situam numa escala local. Defende, que se deverá acrescentar um elemento de análise do global

[1] http://www.hugues-devarine.eu/textes-inedits/31-1996-ecomuseum-or-community-museum.html

Sobre ecomuseus e museus comunitários VI

Os ecomuseus em Portugal

Em Portugal a ideia de Ecomuseu chega pela mão de Huges de Varine, à época conselheiro cultural da embaixada francesa em Lisboa.

  • Em 1979, surge a ideia de criar um ecomuseu na Serra da Estrela. Uma ideia de integração da cultura, associada á instalação do Parque Natural, criado em 1976). A ideia no entanto não vingou
  • Em 1982 , instalação do Ecomuseu do Seixal. Participação da Câmara Municipal, de António Nabais e Graça Filipe.
  • 1985 – Criação do Museu Etnográfico de Monte Redondo

O ecomuseu foi uma figura que depois de desenvolve em algumas localidade, com maior ou menor extensão de participação das comunidade e de integração no território. Alguns ecomuseus: Barroso, Zezere, Lousã, Rio Maior.

Dois casos relevantes: Museu da Comunidade da Batalha, Museu de Mértola.

sobre ecomuseus de museus comunitários V

A ecomuseologia fracassou?

Nos anos noventa, perante a crise e decadência de muitos dos ecomuseus de referencia, discutiu-se a questão dos resultados desta nova museologia como produtora de “desenvolvimento”. Era então evidente um certo esgotamento de muitas destas expriências renovadoras na europa e no Canadá. Contudo, noutros lugares, como por exemplo no México e mas tarde no Brasil a museologia comunitária e os processos de participação das comunidades am ações de preservação e reconstrução das suas memórias, patrimónios e heranças florescia.

Na altura conclui-se a relevância para estes processos museológicos dos processos de gestão, das vontades políticas e da capacidade de agenciamento dos profissionais e a necessidade de qualificação desses profissionais.

Em paralelo, verificou-se igualmente que em muitos lugares se constituíram ecomuseus, que embora com uma preocupação de conhecer um território e ainda que nem sempre tivessem uma procupação de desenvolver a participação da comunidade, todos se articulavam na ideia do “desenvolvimento”. Deste modo, pode-se concluir que a ideia de ”desenvolvimento” de constitui como função da museologia.[1]

Grosso modo consideram-se hoje três tipos de museus.

  • O museu tradicional, com base nas colecções
  • O museu espectáculo, que procede essencialmente à celebração de narrativas, destinadas ao turismo ou a outros públicos
  • Os museus das comunidades, centrado na participação e na construção de novas narrativas.

[1] Ver Pereira, Pedro Cardoso (2010). O património perante o desenvolvimento. Lisboa, tese de doutoramento em museologia.

Sobre ecomuseus e museus comunitarios IV

Momentos de emergência da Nova Museologia

  • 1958 – Conferência do ICOM no Rio de Janeiro – realça a função educativa dos museus
  • 1972 – Mesa Redonda de Santiago do Chile. Museus da América do Sul estabelecem a educação como função social dos museus
  • 1984 –
    • Declaração Declaração de Oaxtepec, sobre a participação da Comunidade.
    • Enconto de Ecomuseus no Quebéc. Reconhece a necessidade de trabalhar uma nova museologia.
  • 1985 – Declaração de Lisboa sobre a “nova Museologia”
  • 1992 – Declaração da UNESCO em Caracas- «A Missão do Museu na América latina hoje: novos desafios.»,
  • 2013 – “Por uma museologia do Afeto” Declaração do MINOM, Rui de Janeiro.
  • 2015 – Declaração da UNESCO sobre “Museus e colecções, a sua diversidade e função social”