A presença africana na história da cidade

Dança, Música, Culinária, Magia Feiras, festas, festivais musicais, discotecas, restaurantes, mercados especializados, produtos alimentares e outros preparações culinárias – da moambo angolana, à catchupa cabo-verdiana, ao calulu são-tomense ou a caril tão moçambicano como indiano -, bem como um interesse mais exigente pelas ‘coisas’ de África, marcam hoje a sociedade portuguesaA procura e oferta seculares da magia africana, hoje  designada de ‘astrologia africana mantém-se hoje uma actividade florescente. Os jornais diários de hoje não recusam esta publicidade crescente, como este pormenor de uma página totalmente consagrada a anúncios de astrologia. Registe-se a permanência destes especialistas do Além, como é o caso de Professor Mamadu, que continua activo, fazendo gentilmente distribuir os seus ‘cartões’ de publicidade a quem passar no Rossio.[Jornal O Correio da Manhã, de 24 de Janeiro de 2011, p. 12].

Os muitos quotidianos são hoje reveladores das mudanças e das permanências, das novidades e das transformações nos mais variados domínios da vida dos homens. Mas alguns preconceitos e estereótipos organizam ainda a maneira portuguesa de olhar o africano, registando-se atitudes discriminatórias, consequência de uma longa história de relações inferiorizantes do Outro. A literatura e a língua portuguesas mantêm fórmulas correntes que tornam visível a inferioridade civilizacional dos africanos, remetendo através de vocábulos, de expressões metafóricas, de frases e de provérbios para a relação entre a condição somática dos africanos e as suas práticas culturais, mas também as novas regras da globalização e da emergência de novas situações como a imigração de milhões de africanos que procuram, na Europa, um espaço de sobrevivência, constituem marcas de uma transformação que tarda a verificar-se.

Saliente-se uma dupla dura continuidade: o trabalho e a habitação. Ontem como hoje os africanos imigrantes mantêm-se na esfera laboral dos trabalhos mais penosos, instalados nas periferias da cidade, vivendo frequentemente em condições de enorme precaridade.

O movimento africano do Bairro Estrela de África, hoje em via de requalificação, e jovens brincando numa rua do Bairro 6 de maio, zona de transição entre Lisboa e a Amadora. [Fotografias: Joost de Raeymaeker]

Práticas socio-culturais. No Bairro 6 de Maio, habitado por muitos africanos ou portugueses de origem africana, a população organiza os seus bailes, como o fizera no passado, criando ritmos e danças onde a África se entrelaça com outras formas culturais do mundo. O comportamento de uma senhora, vestida à europeia, transportando o bebé segundo as práticas africanas, bem como os penteados africanos das jovens são reveladores dos ajustamentos e das inovações nas práticas culturais. [Fotografias: Joost de Raeymaeker].

Deve assinalar-se, no entanto, que simultaneamente se foi reforçando o contingente de africanos, muitos dos quais são portugueses, que a côr da pele e uma miopia discriminatória insistem em ‘remeter’  para a África, e que integram as profissões e as funções mais consideradas da sociedade portuguesa, contribuindo todos para a sua renovação.

A toponímia lisboeta regista lentamente esta mudança, homenageia homens e mulheres de África, heróis outrora ‘terroristas’, esperando-se os tempos em que o passado africano de Lisboa possa ser resgatado e reconhecido na sua dimensão nacional.

 

 

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