Guiné Bissau

Situada na costa ocidental de África, a Guiné-Bissau estende-se do Cabo Roxo até à Ponta Cagete e é limitada a Norte pelo Senegal, a Este pela Guiné-Conakry e a Sul e a Oeste pelo Oceano Atlântico.

O território, com uma superfície de 36.120 km2, apresenta duas componentes distintas: uma parte continental com um cordão de ilhas contíguo e uma parte insular, o arquipélago de Bijagós, constituído por cerca de 40 ilhas e separado do continente pelos canais de Geba, de Pedro Álvares, de Bolama e de Canhabaque.

Relevos de baixa altitude, planícies baixas e pantanosas, numerosos rios navegáveis compõem a Guiné-Bissau. Caracterizada por um clima tropical húmido, é marcada vigorosamente pelo regime das marés e pela existência de rias que desempenham uma importância vital no sistema de penetração e de transporte no país: em muitos locais é possível a navegação de longo curso para o interior, o que facilitou a fixação de populações ao longo de séculos.

O tráfico de escravos nesta região remonta ao século XV, logo após a chegada dos primeiros portugueses à costa da Guiné. No século XVI esse comércio desenvolve-se rapidamente graças à procura cada vez maior de mão-de-obra escrava para as Américas. Os negreiros europeus multiplicam-se nesta região, ao longo de vários séculos.

A região compreendida entre o rio Cacheu e a ponta de Tombali, englobando o arquipélago de Bijagós, era a zona de maior afluência de navios de Cacheu, de Farim, de Geba e de Cabo Verde, todos para comprar escravos. O rio São Domingos, a noroeste da Guiné-Bissau, povoado por Felupes, Banhuns e Cassangas, é citado entre as áreas de captura de escravos, incluindo os prisioneiros das guerras frequentes registadas entre os grupos étnicos. Foi provavelmente a zona da Guiné que mais escravos forneceu, e dava acesso ao porto de Cacheu, muito frequentado por navios europeus.

A memória da escravatura e do tráfico negreiro encontra-se nos vestígios construídos pelos europeus – dos fortes aos presídios e às igrejas -, assim como nos objectos destinados a assegurar o controlo e a sobrevivência dos escravos, enquanto aguardavam o embarque nos navios negreiros.

Todavia, as marcas da violência esclavagista estão também na memória das populações e na toponímia. Em ambos os casos é possível encontrar vestígios do comércio negreiro, em que o arquipélago de Bijagós desempenhou um papel central ao longo de vários séculos: por exemplo, a pequena ilha de Imbone, no sul, é um lugar reconhecido como refúgio de escravos.

Também Geba, onde se cruzavam os caminhos percorridos pelas caravanas que transportavam os escravos provenientes de Cantor, Firdú e de Casamansa é o lugar paradigmático da resistência  dos africanos: “Geba é um lugar de triste memória” dizem ainda hoje as populações locais.

É visível a memória das trocas efectuadas nos locais de concentração de escravos – sobretudo as ilhas, como são os casos de Bolor, dos Escravos, das Galinhas (nome dado aos escravos que aí eram vendidos ilegalmente após a abolição do tráfico) -, das revoltas desencadeadas pelas populações contra os negreiros, dos castigos e dos massacres infligidos pelos traficantes europeus e dos sítios simbólicos – como Pas – de resistência ao comércio negreiro.

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