Porque é que já nenhum poder teme as ‘ciências sociais’?

L´obéissance est morte

Está por fazer o debate sobre se o meio académico (laboratórios de investigação incluídos) contribui satisfatoriamente para entendermos criticamente o mundo em que vivemos – e, em caso negativo, quais os motivos. Apesar dos mestres e doutorados que ele constantemente fabrica, o presente continua bastante turvo, mesmo para quem acompanha algumas das principais revistas especializadas. Várias explicações concorrem, na minha opinião, para explicar o curioso fenómeno que contribui para que os distintos poderes (políticos, culturais, económicos) se reproduzam comodamente.

1) tautologia

Tal como está organizada, a academia não estimula os novos cientistas a participarem no aprofundamento ou na superação das teorias existentes, que determinam como se interpretam os dados, mas tão somente na sua acrítica reprodução, única forma destes se verem admitidos na restrita ‘comunidade científica’. Fazer carreira no mundo da ciência implica, em primeiro lugar, replicar indistintamente as teorias em vigor – que assim se tornam pau para toda…

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Áudio 167 – Lugar De Fala E Relações De Poder Com Jota Mombaça (Parte II)

O corpo negro aprendeu a pensar-se como um problema pela hipermacação do processo da racialização. “Na medida em que a gente racializa o branco, a gente desequilibra o branco. E desequilibrar o branco é fazer ele aprender a se pensar como um problema.(…) O branco tem que aprender o que é que significa ser branco no mundo. Não é fixe! Não é moralmente defensável a posição do branco e eles vão ter que aprender a lidar com isso.”

Jota Mombaça vem do Brasil, onde começou a desenvolver práticas da escrita, das artes performativas que refletem a sua racialidade, desobediência de género e as violências a que estas posições estão associadas.

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“Inclusão”, liminaridade e precariedade científica (I)

Blogue ATS

Por Paulo Granjo

1. Inclusão: uma falsa ideia clara

“Inclusão” tornou-se uma palavra-fetiche, omnipresente quer no discurso político vago e bem-intencionado, quer nos cadernos de encargos para o financiamento de pesquisas sociais.

Como qualquer palavra que utilizemos, pretendendo que seja mais do que um som, está associada a noções e ideias, por vezes muito variáveis. Contudo, na sua utilização predominante nos contextos que referi, constitui por um lado uma “falsa ideia clara” (para utilizar uma expressão cara a Mário Murteira) e, por outro, um traiçoeiro simplismo.

Quando ouvimos “inclusão”, de imediato pensamos “exclusão”. Com isso, tendemos a aperceber ambas as palavras e ideias como um par opositivo, delimitado de forma evidente e com uma carga positiva ou negativa, consoante o prefixo; mas não é, de todo, esse o caso.

Ao estabelecermos essa oposição (fig. 1), não estamos, antes de mais, a constatar uma evidência empírica. Estamos a enfatizar…

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