Fado Cantado no XII CONLAB

fadodançado

O nosso amigo José Teixeira, no seu Blog Ma-Chamba, a propósito da sessão de abertura do XII CONLAB, já se havia referido à questão do grupo “Fado Cantado” uma dança promovida pela Associação Batotoyetu, uma Associação que Citamos :

A Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu Portugal (BYP) é uma organização sem fins lucrativos que foi implementada em Portugal em 1996 pelo coreógrafo e fundador Júlio Leitão, com o apoio da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento e da Câmara Municipal de Oeiras.
A BYP, sedeada no Bairro Dr. Francisco Sá Carneiro, em Laveiras, Caxias, desenvolve desde essa data um trabalho de apoio junto das crianças e jovens da área metropolitana de Lisboa, e, mais concretamente, do Concelho de Oeiras.
Tem como alvo primordial as crianças e jovens provenientes dos bairros suburbanos da grande Lisboa, estando aberta a todos os que se identificam com o seu ritmo e espírito.
A Associação Cultural e Juvenil Batoto Yetu procura através da dança e expressão artística e da descoberta das raízes culturais africanas das crianças e jovens, o desenvolvimento da sua auto-estima. Espera assim que estas crianças e jovens se integrem do ponto de vista sócio-cultural na sociedade onde vivem, contribuindo para um Portugal intercultural e cosmopolita.”

Nesta caso concreto, procura recriar a partir do Fado, um novo produto artísitco, usando as música e a dança e explorando a sua origem africana. Reunem raizes brasileiras, angolanas, de caboverdeanas e portuguesas.

No nosso site Museu Afro-digital, ja haviamos abordados a questão  das heranças africanas do Fado.

Ora sobre esta questão diz-nos José Teixeira no seu artigo:

O cúmulo foi o episódio “danças e cantares”, um grupo de jovens tamboristas e dançarinas (uma batucada, dir-se-ia no tempo do Marechal Carmona) afrodescendentes acompanhados de um músico fadista, um pretenso multiculturalismo com que a organização portuguesa recebeu os participantes nacionais e estrangeiros. Assim como se em Maputo recebêssemos um congresso com um grupo musical da Escola Portuguesa de Moçambique mesclado com um timbileiro de Zavala e se tocasse música de Freitas Branco. Esta candura que se julga multicultural é mesmo o sintoma do mal-estar com a história, como se uma mácula identitária de irreflexão construída, presente em alguns nichos portugueses, e tanto também no campo das ciências sociais. Pois, como diz o sábio povo, “em casa de ferreiro espeto de pau …”. Sei que as duas décadas de Moçambique, parte das quais a aturar a sub-intelectualidade socialista portuguesa, me tornou muito sensível a esta auto-incompreensão patrícia, mas já vai sendo tempo, em 2015, da “gente” se pensar a sério.

É certo que o autor não deixa de ter razão sobre a forma como os portugueses se vêem na sua relação como os antigos espaços coloniais. Há nesta tradição identitária, cujo exemplo se têm vindo a cristalizar na forma pejorava da tradição folclórica,  uma analogia forte entre a saudade do império e os novos mitos lusófonos. A questão que interessa discutir aqui é a seguinte: A identidade constrói-se a partir de quê?  Quem é que constrói a identidade?  Qual é o limite e a extensão da construção identitária? A raiz da tradição é sempre uma tentação. O que é novo necessita de se afirmar na tradição ou assume-se como inovação? Podemos produzir sem pensarmos a partir de raízes. De reinventamos a partir das raizes?

Fica a resposta para outras ocasião.

Anúncios

Publicado por

Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2104) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.

Uma opinião sobre “Fado Cantado no XII CONLAB”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s